Uma evidência que emergiu de forma inequívoca desta pandemia à escala global foi a de que, para milhões de pessoas, afinal, é possível trabalhar sem estar no local de trabalho.

Ficou claro que um largo sector da atividade económica, nomeadamente nos serviços, pode funcionar com os trabalhadores de muitas grandes, médias e pequenas empresas a executarem suas tarefas a partir de casa. O atual contexto de emergência sanitária que condicionou e continua a condicionar a vida dos cidadãos e das empresas veio colocar questões novas sobre as condições do trabalho, sobre a mobilidade das pessoas, sobretudo nas grandes cidades. É por isso que em muitos países começa a vingar a ideia de avançar com o teletrabalho de forma permanente. Na verdade, vivendo num mundo em rede, não parece uma ideia transcendente.

Há um conjunto de vantagens quer para as empresas, quer para o trabalhador. Para estes, ressaltam a redução dos custos e despesas em deslocações e refeições que teria de fazer fora de casa, maior liberdade e autonomia de trabalho, maior flexibilidade nos horários, menor stress de horas perdidas no transito ou “enlatado” nos transportes públicos. Deslocar-se para ir um qualquer escritório ligar o computador é um absurdo num mundo tecnológico. Para as empresas são evidentes a redução dos custos de contexto; electricidade, água, materiais de limpeza, segurança e rendas. Não menos importante seria o impacto ambiental e a qualidade de vida.

Claro que o teletrabalho também tem as suas desvantagens. O perigo das jornadas de trabalho mais longas, com uma grande probabilidade de excederem para lá do horário normal de trabalho, o isolamento, a rotina ou o bloqueio da criatividade, a falta de relações interpessoais, a falta de ligação física com a empresa e com outras equipas ou colegas. A falta de conversas de ocasião, no corredor, na pausa para café, que podem ajudar a resolver inúmeros problemas. Outros dos riscos é poder levar a que se misture a vida pessoal com a profissional, sobretudo se são houver regras, disciplina e automotivação. O equilíbrio entre as vantagens e as desvantagens não é fácil conseguir e, por isso, o teletrabalho poderia de ser “negociado” entre as partes, sobretudo em situações concretas de algum trabalhador que tenha necessidade de ficar em casa no apoio à família. É provável que isto já não volte atrás, no sentido de voltarmos à situação anterior. Apesar de tudo, provou-se que há um conjunto muito largo de actividades que podem ser desempenhadas pelos trabalhadores à distância.

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